Sleeping giants movimento que ajuda a combater fake news

Sleeping Giants: conheça o movimento que ajuda a combater as fakes news

Você sabe para onde vai seu investimento em mídia? A resposta é bem menos óbvia do que parece. Então, se seu negócio aposta na mídia programática deve ficar atento ao Sleeping Giants, movimento que ajuda a combater as fakes news, lançado no Brasil em 18 de maio.

Se você nunca ouviu falar sobre o ele, o Sleeping Giants teve o início nos Estados Unidos logo após as eleições que elegeram Donald Trump como presidente sob várias acusações de fake news. Aqui no Brasil, a versão verde-amarela do movimento tem ganhado cada vez mais espaço nos meios jornalísticos.

Em meio a hashtags sobre a pandemia do Covid-19, o perfil do Twitter do Sleeping Giants em poucas horas depois de criado já tinha movimentado diversas marcas de anunciantes de um jornal. Leia também: Como manter-se criativo longe do escritório na quarentena.

O Sleeping Giants é muito mais do que um perfil que viralizou na web, é um movimento internacional com objetivo de alertar as empresas sobre onde seus anúncios estão sendo divulgados. Assim, elas param de financiar sites responsáveis por disseminar fakes news e outras conspirações.

Agora, se você está pensando que o assunto é de interesse exclusivo da sua agência ou departamento de marketing vai muito mais além. Afinal, é o relacionamento com seus consumidores e a reputação da sua empresa que podem estar em jogo. Então, confira o artigo até o final e fique por dentro do assunto.

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O nascimento do Sleeping Giants

Como o nome que sugere que grandes empresas estão dormindo, o Sleeping Giants surgiu em 2016 nos Estados Unidos e tem como objetivo alertar empresas sobre seus conteúdos serem veiculados em páginas da internet que promovem a desinformação de pessoas.

O perfil do Sleeping Giants no Twitter se define como “uma luta coletiva de cidadãos contra o financiamento do discurso de ódio e das fakes news”. A conta americana da rede social tem mais de 268 mil seguidores e já acontece em pelo menos outros dez países.

O fundador,o  publicitário Matt Rivitz, orgulha-se do movimento ter sido o grande responsável por desarticular grande parte do faturamento de publicações norte-americanas de extrema-direita. Isso fez com que ele se tornasse um alvo desses grupos extremistas, mas mesmo com ameaças continuou fazendo o seu trabalho.

A lógica do Sleeping Giants é bem simples: ele avisa as empresas se seus anúncios estão sendo veiculados em sites que propagam discursos de ódio, divulgam fakes news ou são considerados extremistas. Após a denúncia, diversas empresas costumam retirar as suas publicidades.

Sleeping Giants no Brasil

A versão brasileira foi inspirada no mesmo modelo americano, o propósito também é o mesmo: alertar empresas que suas propagandas estão sendo veiculadas em sites que promovem a desinformação das pessoas.

s criadores do perfil nos EUA não tiverem relação com a versão verde-amarela. Mas já deram seu aval por meio do Twitter. Em 18 de maio, foi a sua primeira publicação e, desde o seu surgimento, mais de 130 marcas já se comprometeram em retirar os anúncios dos sites.

A conta no Twitter da versão brasileira já tem mais de 351 mil seguidores e, segundo o próprio movimento, suas denúncias já ajudaram a desmonetizar mais de R$ 300 mil que seriam captados ao longo de 1 ano pelos sites que promovem a desinformação.

Por aqui, além da página no Twitter, há um perfil no Facebook, ambos administrados anonimamente, mas por diferentes grupos. O site que foi o primeiro alvo foi do Sleeping Giants no Brasil foi o Cidade Online. Sua escolha foi baseada em um estudo da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, na qual os pesquisadores analisaram mais de 200 grupos brasileiros identificados com as palavras direita e esquerda do aplicativo WhatsApp durante as eleições de 2018.

Nos grupos da direita, o Jornal Cidade Online foi o mais divulgado nas mensagens.

Sleeping giants

Jornal da Cidade Online: o primeiro alvo

Depois de pouco tempo da criação do perfil no Twitter, o primeiro alvo do movimento foi a página do Jornal da Cidade Online, conhecido pela propagação de opiniões em defesa do uso da cloroquina para o tratamento do Coronavírus e notícias falsas. O Sleeping Giants, em sua versão brasileira, já alertou mais de 30 empresas que tinham propagandas veiculada no portal.

Além de marcas como a Tim, Claro, Dell, Mercado Livre e o Banco do Brasil, o movimento também mencionou publicidades de veículos de comunicação como a Telecine e Folha de São Paulo. Em resposta, o Jornal Cidade Online divulgou uma nota afirmando que o Sleeping Giants está promovendo a censura e que as empresas que retiraram suas propagandas estão compactuando com o “pedido de uma máfia comunista”.

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Empresas já removeram os anúncios do Jornal da Cidade Online

A lista de empresas que já responderam que iriam retirar seus anúncios do site e se comprometeram publicamente em rever suas propagandas automáticas é grande, confira algumas:

  • C&C;
  • Dell;
  • Zoom;
  • Mobly;
  • PicPay;
  • Telecine;
  • Fast Shop;
  • Submarino;
  • McDonald’s;
  • Hotel Urbano;
  • Quinto Andar;
  • MadeiraMadeira.

E a lista cresce a cada dia.

A reação: criação do perfil “Gigantes Não Dormem”

A reação ao perfil Sleeping Giants foi a criação da página Gigantes Não Dormem, também em 20 de maio. Esse movimento oposto reúne um pouco mais de 26 mil seguidores e solicita aos mesmos que façam um boicote das marcas que aderiram às solicitações para a remoção das propagandas.

O Gigantes Não Dormem, faz o contato com as marcas semelhante ao seu perfil contrário mas alegando que os sites indicados não são disseminadores de notícias falsas. Além disso, a versão antagonista pede que as marcas permaneçam “neutras” diante dessa situação.

Quando as empresas bloqueiam os anúncios ficam na mira do boicote dos seguidores do do Gigantes Não Dormem. Já há uma lista com mais de 50 empresas que seus apoiadores devem parar de consumir.

Mídia programática em foco

A mídia programática promove ao anunciante comprar espaços publicitários de acordo com dados de usuários da web. Então, os produtores desses conteúdos recebem por cliques e anúncios que são exibidos em seus sites.

Canais como o Facebook e Google oferecem esse tipo de serviço desenvolvedor do Adsense. Mas, com um filtro de controle, as marcas podem evitar que suas publicidades sejam divulgadas em páginas específicas ou ainda filtrá-las por meio de palavras chaves.

A programática é um dos meios de publicidade mais populares do mercado e o objetivo do Sleeping Giants é avisar as empresas que nem sempre tem um controle rígido sobre onde suas propagandas são veiculadas, que seus anúncios estão sendo exibidos em páginas que disseminam fakes news.

Mesmo que o Google estabeleça uma série de políticas de conteúdo que pode ser utilizada pelo AdSense, não há nenhuma regra específica sobre sites que propagam fake news ou a desinformação.

Isso não é uma discussão simples

Mesmo com o apoio de diversas marcas importantes de mercado, de artistas e influenciadores, o movimento Sleeping Giants também gera uma discussão profunda sobre a liberdade de expressão.

Tanto no Brasil como nos EUA, os críticos do movimento garantem que ele reprime sites com opiniões diferentes. Então, a questão aqui não é tão simples quanto parece, mas independente dessa discussão é necessário que você conheça o destino dos seus investimos em mídia, pois seus consumidores podem querer saber.

A mídia programática e a utilização da automação de anúncios é uma estratégia eficaz no marketing digital, mas deve sempre ser direcionada por um planejamento para se tomar a decisão sobre quais veículos os anúncios serão divulgados. Quer ajuda com sua estratégia? Clique aqui e fale conosco podemos ajudar!

 


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Pedro Hermano

Pedro Hermano, bacharel em Publicidade e Propaganda pela (ESPM), especializado em Branding e Planejamento Estratégico de Marcas na McGill University, no Canadá e em Marketing Digital em Harvard. Pós-graduado em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral (FDC) e atualmente é sócio-fundador e diretor de criação da Agência 242. Em 2018, foi eleito Profissional Digital do Ano pela ABRADi-SP.